Ana Lia Mendo e Helena Sofia Costa

Erasmus em Viena,

uma experiência a não perder...

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02 Novembro 2022

Programa Erasmus tem o nome do humanista e teólogo Desiderius Erasmus de Roterdão, que viajou e estudou pelos maiores centros de aprendizagem da época, incluindo Paris, Lovaina e Cambridge.

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Tal como o homem, o programa Erasmus prioriza a mobilidade e promove as perspetivas de carreira através da aprendizagem. Todos os anos, centenas de milhares de alunos, por toda a Europa, aderem a esta iniciativa de intercâmbio. Sem embargo, impõe-se a questão: como chegaram todos eles até esse ponto?

Há todo um processo pré-Erasmus, frequentemente subvalorizado, do qual não nos podemos subtrair. O ensinamento da cadeira de Estratégia de que o valor é ganho/perdido nas primeiras fases tem uma justaposição perfeita com a decisão de fazer Erasmus.

Se há alguma fase na vida em que temos de nos colocar em primeiro lugar e pensar nas nossas próprias expectativas pessoais, é, sem sombra de dúvida, esta. Caso contrário, ver-se-ão envoltos em frustração no decorrer da experiência ou esmagados por um sentimento de incumprimento face a todas as metas que projetaram para este período.

Muitas são as questões com que se irão deparar ao longo do processo de decisão:

"Onde quero viver durante meses?

 Quero fazer um semestre ou 1 ano fora?

 Quão longe quero estar dos meus amigos e família?

 Quero ir sozinho, acompanhado por um amigo ou por um compa-   nheiro de quarto aleatório?

 Quanto posso e quero gastar?"

Estas serão algumas das perguntas que deverão passar pela vossa cabeça antes da inscrição. Sem este processo de autoconhecimento e conjugação com a atenta análise de todo o leque de universidades parceiras da UCP nas quais podem estudar, torna-se inverosímil tomar uma decisão consciente e a mais acertada para vós próprios.

Para retirar a máxima utilidade desta experiência única, após a colocação na Universidade desejada, é imperativo começar a planear a ida: avaliar as opções de alojamento, informar-se sobre os custos relacionados com as comodidades básicas de vida (transportes, alimentação, saúde) e certificar-se do cumprimento de todos os requisitos burocráticos que o país exige para os alunos internacionais que acolhe. No que respeita ao plano de estudos, é imprescindível manter-se atualizado do catálogo de cadeiras que a Universidade de acolhimento irá oferecer no semestre em que se realizará o período de mobilidade, para fazer a interposição com o Internacional Office da UCP com a maior brevidade possível e certificarem-se de que obtêm todas as substituições e equivalências necessárias.

Outro fator que deverão ponderar na decisão do destino de Erasmus é o vosso interesse (ou não) em aprender a língua do país ou aprofundar a sua aprendizagem, seja via aulas oferecidas pela Faculdade de acolhimento, institutos de línguas ou, simplesmente, por assimilação autodidática de alguns conceitos linguísticos (tais como saudações, direções, alimentos...), cujo conhecimento básico torna a vossa estadia mais confortável.

Relativamente à experiência que estamos a ter, a oportunidade de vir de Erasmus com a melhor amiga é um misto de sonho e desafio. Temos conseguido fazer muitas amizades, dos mais diversos países e continentes, e não nos fechar no conforto que somos uma para a outra, o que poderia ser a tendência, que tentamos contrariar.

Além do mais, durante o semestre, é necessário estarem dispostos a ter abertura para apreenderem verdadeiramente o background cultural do país onde vivem e se deixarem emergir nos seus costumes e valores. Frequentemente damos por nós a questionar determinadas reações ou comportamentos que observamos no dia a dia, cujo porquê assenta, precisamente, nas diferenças culturais patentes. Da mesma forma, dispor de ginástica mental para se adaptar a novos métodos de ensino e, principalmente, de avaliação, é vital.

Quando estamos em Erasmus, as oportunidades de diversão surgem de todos os lados, e mais do que nunca. Desde explorar a cultura da cidade nas atividades mais tipicamente turísticas até às festas que se prolongam pela noite dentro, ficar entediadas é algo que achamos que nunca irá acontecer! Apesar de tudo isto, não podemos esquecer de que viemos para aqui não só para conhecer as novas culturas e lugares, mas também para enriquecer o nosso percurso académico: o segredo, na nossa perspetiva, é o equilíbrio entre todas estas dimensões.

De facto, uma experiência de Erasmus verdadeiramente otimizada em termos de equilíbrio entre estudo e diversão implica também muita organização e planeamento. Por exemplo: organizar as refeições em casa, todos os dias da semana, para poder alocar o dinheiro a conhecer novos sítios; dividir as tarefas domésticas igualmente, de modo a poupar o tempo que é precioso para aproveitar a experiência; marcar tudo com a devida antecedência e compatibilizar a agenda da melhor maneira. Temos a certeza de que tudo o que nos está a ser possibilitado experimentar e aproveitar advém, também, desta capacidade que temos tentado (e conseguido) manter.

Viver sozinhas está a ser, para nós, uma primeira vez. Nos primeiros dias, tudo era mais assustador: tarefas simples na cozinha, na limpeza dos espaços pessoais e comuns, na roupa suja e no lixo, entre outras, pareciam muito mais complexas do que realmente são. No nosso caso concreto, a oportunidade de aprendermos em conjunto ajudou-nos a crescer mais rapidamente (claro, sempre com a ajuda de uns quantos telefonemas para casa, onde os pais, a uns bons quilómetros de distância, desempenharam um papel fundamental – obrigada, mães; obrigada, pais; obrigada, FaceTime!). Neste momento, já tudo é intuitivo e rápido, e sentimos que esta experiência terá um impacto claramente muito positivo no desenvolvimento da nossa autonomia e independência para momentos futuros.

Para já, podemos concordar que é impossível não sair desta experiência manifestamente mais rico (apesar dos esforços na carteira). Se tiverem a oportunidade de fazer Erasmus, não a deixem escapar!